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Aforismos e parágrafos (in)tolerantes

janeiro 24, 2017

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No Velho Testamento Deus condena a idolatria com a pena de morte (Dt 13,7-19). No Novo Testamento não se diz nada contra isso, muito pelo contrário (1Cor 6,9s; Ap 21,8). Ora, a heresia é uma forma de idolatria. A falsa fé é a crença numa caricatura de Deus.

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Dizia São João Crisóstomo: “matar um herege é introduzir na terra um crime inexpiável”. No entanto, a experiência posterior com várias heresias (penso aqui especificamente no donatismo e no catarismo) indicava que a misericórdia era um risco altíssimo para os corpos e as almas. Um risco tão grande que fez com que o pensamento de Crisóstomo e outros santos seus contemporâneos (Martinho de Tours, Ambrósio, Dâmaso) ficasse esquecido ou fosse deixado de lado.

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Condenar os antigos por intolerância numa época em que o conceito de tolerância era desconhecido é como acusar a crueldade dos médicos de outrora que operavam sem anestesia.

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A medicina já acreditou sinceramente que a sangria era a melhor maneira de curar muitas enfermidades. Os homens da Igreja no passado acreditavam que condenar um herege impenitente à morte era a maneira mais adequada de destruir o erro. Ambos estavam enganados, mas queriam fazer algo bom.

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Numa sociedade fundada sobre o juramento e a fé, quem negava o juramento da fé era visto como um câncer o qual, não fosse extirpado logo, se espalharia pelo corpo social como uma terrível metástase destruidora do mais alto bem comum.

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As razões da intolerância religiosa do passado são, essencialmente, as mesmas razões da intolerância que temos hoje para com os crimes contra a vida corporal, especialmente o assassinato em massa.

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Não existiam meios para os homens de outras épocas compreenderem o abandono da fé como um mal aceitável. Para eles, a fé era tudo: a salvação, a vida eterna, a felicidade infinita. Perder a fé era perder o Sumo Bem, Deus, para sempre. O herege era um monstro que, afora perder o Céu para si, arrastava outros tantos consigo em sua ruína.

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Os reinos só deixaram de condenar hereges quando o mundo já tinha sido tomado pelo erro. O combate físico, grosseiro e limitado, fracassou na luta contra a heresia. Para a Igreja restaram apenas os meios espirituais. Melhor assim.

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A história dolorosamente nos ensina uma lição: que a heresia não se vence pela força, mas contra ela devemos resistir principalmente pela palavra e pelo testemunho.

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Algumas verdades só são assimiladas com a experiência, e não somente a partir dos primeiros princípios.

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Os santos transcendem de muitas maneiras sua época, mas nenhum mortal consegue viver completamente fora de seu tempo.

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Condenar um herege malicioso à morte pode ser justo, mas quem pode, especialmente hoje, sempre reconhecer acertadamente sua malícia?

A falibilidade da Igreja visível: uma tentação

janeiro 20, 2017

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O verdadeiro princípio do protestantismo, o ponto onde começa o seu erro, não é a Sola Scriptura, como alegam os próprios protestantes. Seguindo a tradição de usar uma expressão em latim, o verdadeiro princípio do protestantismo é a afirmação da Visibilis Ecclesiae Fallibilitas, a falibilidade da Igreja visível. Esta crença é o que nos revela a natureza verdadeira da rebelião de Lutero.

Dizer que a Igreja visível é falha implica necessariamente em se buscar alguma base mais sólida para estabelecer a fé. Onde encontrar tal base? Ora, ela só pode estar lá no início, na época em que a Igreja estava diretamente sob a tutela de Cristo e dos Apóstolos, ou seja, a Igreja das origens, presumidamente imaculada de erros em sua juventude pela proximidade de seu Fundador. Como, no entanto, é impossível construir uma máquina do tempo, o protestantismo tomou como alicerce de sua fé o elo mais seguro e objetivo possível supostamente capaz de conectá-lo ao nascimento da Igreja: as Sagradas Escrituras, conservadas e reverenciadas piedosamente pela Igreja Católica em sua liturgia.

A Sola Scriptura surge, portanto, como corolário da Visibilis Ecclesiae Fallibilitas, a dedução que Lutero e outros como ele fizeram quando julgaram que não podiam mais confiar na Igreja, por outros motivos (no caso de Lutero, escrúpulos e orgulho). De fato, não é um princípio difícil de compreender, já que a Igreja visível é formada por pessoas imperfeitas, pecadoras, contraditórias. Maus bispos e maus papas governavam a casa de Deus no século XVI. A situação do clero, moralmente falando, era realmente deplorável. Achar que a Igreja fracassara ou se desviara das origens era uma tentação sedutora, sustentada facilmente até mesmo pela observação de qualquer outro período histórico.

Disso o protestantismo tira outra conclusão: a reforma da Igreja, o retorno às Escrituras, à pureza original da Igreja primitiva, não é uma tarefa a ser feita exclusivamente neste século. É uma tarefa de todos os séculos. Ecclesia Reformata Semper Reformanda. A Igreja visível está sempre na iminência de trair o Senhor, sempre falível, sempre humana e imperfeita, nunca divina e inerrante. Não existe magistério eclesial seguro, apenas o retorno ao Texto Sagrado pode garantir sua fidelidade. Como Sísifo, ela deve sempre levar de volta para o alto da montanha bíblica a rocha de sua doutrina e começar de novo, e de novo, e de novo. Daí surgem os movimentos restauracionistas, “avivamentos”, novas denominações, novas maneiras de interpretar a Igreja nascente e viver a fé em Cristo como Salvador (*).

É quase desnecessário dizer que esse empreendimento de fracassos sucessivos e tentativas de retorno à fidelidade não pode, de fato, alcançar sucesso permanente. Primeiro porque a Escritura, mesmo inerrante e infalível, é insuficiente para reconstruir de modo adequado a experiência de fé dos primeiros cristãos. Nela lemos fragmentos do ministério de Nosso Senhor, narrativas de Sua Paixão, Morte e Ressurreição, alguns eventos esparsos das origens da Igreja, cartas apostólicas enviadas a algumas comunidades para resolver problemas locais e profecias apocalípticas. Nada há ali que se compare a uma descrição adequada da doutrina e da vida da Igreja primitiva (junte-se a esta quantidade insuficiente de informação o fato de que todo texto humano é ambíguo). Logo, é IMPOSSÍVEL reconstruir satisfatoriamente o cenário eclesial e doutrinal da era apostólica usando só a Bíblia. Este é um fato objetivo inquestionável.

Se a Bíblia não pode ser a ponte visível segura entre a Igreja de hoje e a de ontem, então só nos resta uma opção compatível com a crença na messianidade de Cristo: reconhecer que a própria Igreja visível é a ponte. Não há outro caminho, a não ser que se presuma que Nosso Senhor abandonou os fiéis a si mesmos e, portanto, não cumpriu suas promessas (conhecidas, aliás, através da própria Igreja, tanto na Tradição recebida como nas Escrituras preservadas por ela ao longo dos tempos). Sim, a Igreja visível demonstra muitas falhas, muitos cristãos fizeram coisas vergonhosas e indignas e muitas heresias e doutrinas falsas tentaram enganar os fiéis. Mas se acreditamos, realmente, em Nosso Senhor, não podemos ceder à tentação da Visibilis Ecclesiae Fallibilitas. Apesar de todas as misérias, excessos, abusos, desvios, pecados, indignidades e traições, a Igreja visível não pode ser destruída ou absolutamente corrompida. Ela deve permanecer até o fim do mundo fiel à sua substância. “Et portae inferi non praevalebunt adversus eam“, “e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18), que é a “ecclesia Dei vivi, columna et firmamentum veritatis“, a “Igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade” (1Tm 3,15) (**).

A Igreja visível exerce um papel materno, gerando discípulos para Cristo através do batismo, alimentando-os com a Eucaristia, preparando-os para o combate da fé pelo Santo Crisma, perdoando suas faltas no Sacramento da Confissão, abençoando a união de seus filhos no Sagrado Matrimônio (refletindo o mistério de sua união com Cristo), garantindo a continuidade do seu múnus de governar e ensinar todas as gentes através da ordenação sacerdotal e ungindo seus filhos doentes para a cura ou para o encontro final com seu Senhor. Em todas essas ações, ela cuida de nós, ela nos conduz até a Pátria Celeste. Ao rejeitar a Igreja visível, os protestantes, eventualmente, acabaram por deixar de lado também todo o elemento sacramental, os sinais visíveis que Nosso Senhor confiou à sua esposa visível para nos acompanhar do nascimento à morte.

Assim, temos muitos protestantes que rejeitam o batismo de crianças e consideram o próprio batismo apenas um rito de introdução na comunidade eclesial, ineficaz para perdoar os pecados, enquanto TODOS descartam de diversas maneiras a presença substancial eucarística, o sacramento que FAZ A IGREJA. Também o poder eclesiástico de perdoar pecados, a sacralidade do Matrimônio (divórcio e contracepção foram aceitos pelos nossos irmãos separados), a missão sacerdotal e a hierarquia (os pastores são leigos e sua autoridade não é sagrada) e até mesmo o último consolo e proteção espiritual antes da morte (protestantes acham que é desnecessário, pois o crente já está salvo) foram progressivamente excluídos dos credos e práticas protestantes.

Eliminando a maternidade da Igreja também se elimina a importância da maternidade de Nossa Senhora. É certo que Lutero conservava traços de devoção mariana (e, que Deus o ajude, espero que esses traços tenham-lhe servido para trocar o Inferno por um longo tempo no Purgatório), e mesmo os primeiros reformadores ainda tinham alguma reverência especial pela Mãe do Senhor. Mas isto logo se perdeu. Sem amar a Igreja visível, sem se submeter a ela, os protestantes também não possuem motivo para amar a Virgem Mãe que é seu ícone mais perfeito. Maria Santíssima passou a refletir a concepção eclesiológica da Visibilis Ecclesiae Fallibilitas: uma mulher comum, abençoada mas pecadora e útil por sua função de mãe biológica de Cristo, mas logo esquecida, minimizada, tornada insignificante. Parafraseando São Luís Maria Grignion de Montfort, não pode ter Maria por Mãe quem não tem a Igreja por Mãe. O ódio ou indiferença protestante em relação a Nossa Senhora espelham seus sentimentos pela Igreja Católica.

De todo o mal Deus tira um bem. Em oposição ao mal da pseudoreforma, Deus suscitou santos e uma reforma legítima que manifestou claramente a verdade contra o erro. Rezo e peço a Deus, entretanto, que nossos irmãos separados, um a um, e não por um ecumenismo falso, retornem um dia para os braços maternos, descobrindo o amor e a verdade que lançaram fora ao dizer sim para Cristo e não para a sua Igreja.

(*) Não que reformas NA IGREJA sejam desnecessárias, mas o protestantismo se desvia disso pregando a reforma DA IGREJA, ou seja, a própria essência eclesial se corrompe naturalmente com o tempo e precisa ser colocada em contato com a Bíblia para retornar ao seu estado (forma) de pureza primeva.

(**) Os protestantes alteram o sentido dessas passagens apelando para uma eclesiologia desencarnada, em que a Igreja verdadeira é na verdade invisível e formada por aqueles que buscam seguir fielmente as Escrituras, não importando a denominação. Essa perspectiva, contudo, é insustentável pela incapacidade da Bíblia representar adequadamente a Igreja originária.

Maria-Igreja

janeiro 20, 2017

mother_churchUma linha escriturística que nos conduz à Imaculada Conceição é a identificação tipológica entre a Igreja e Maria que, aliás, foi historicamente a via pela qual a Igreja compreendeu melhor o mistério da Mãe do Senhor. A Igreja gera Cristo virginalmente como Maria. O mesmo Cristo quer a Igreja “gloriosa, sem mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5,27). Em Maria, além do mais, realiza-se a continuidade e unidade entre a Antiga Aliança com Israel e a Nova Aliança com a Igreja: Maria é a recapitulação pessoal do “resto segundo a eleição da graça” (Rm 11,5), o resto santo que prova que a palavra de Deus realmente frutifica: uma judia, filha de Israel, que como tal é inteiramente cristã. Finalmente, no Apocalipse, a Virgem é a “mulher vestida de Sol” (Ap 12,1), ou seja, vestida de Deus, que é luz (1Jo 1,5), inteiramente preenchida com o amor divino, e que tem a Lua, ou seja, a mudança, a morte e a mortalidade, debaixo de seus pés, mostrando sua íntima associação com a vitória do seu Filho. Coroada com doze estrelas, ela personifica a própria Igreja: as doze tribos de Israel, os doze Apóstolos do Cordeiro, que gera no sofrimento, nas provações do mundo e, especialmente, pelo martírio, o próprio Cristo (Ap 11,2). O demônio, a antiga serpente, trava uma luta contra ela (Ap 12,13), mas ela é protegida (vv. 14-16), o que enfurece o Inimigo, que se volta contra seus descendentes, aqueles que “observam os mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus” (Ap 12,17). Portanto existe uma inimizade radical, total, completa, entre Maria, a Mulher, e o demônio, recapitulando o protoevangelho do Gênesis. Ora, a Igreja paulatinamente entendeu que esta inimizade radical não pode ocorrer se Maria, em algum momento, esteve sob a égide do pecado, ou seja, se ela foi, ainda que só num instante, “propriedade do diabo”. Como escreveu Santo Agostinho de modo ainda impreciso, respondendo a Juliano de Eclanum, um bispo pelagiano deposto: “Nós não transferimos Maria ao diabo pela condição de seu nascimento, por esta razão, que esta condição é dissolvida pela graça de seu novo nascimento.” (Contra Juliano, IV, 122)

Santo Tomás negava os méritos dos sofrimentos dos santos em favor da Igreja?

janeiro 20, 2017

martyrdom-of-polycarpMas eu respondo que o sofrimento de Cristo nos foi salvífico não só como exemplo: ‘Também Cristo sofreu por nós, deixando-nos um exemplo, para que sigamos os seus passos” (1Pd 2,21), mas também como mérito e como eficácia, visto que por seu sangue nós fomos redimidos e santificados: ‘Assim Jesus sofreu fora do portão para santificar o povo pelo seu próprio sangue’ (Hb 13,12). Mas o sofrimento de outras pessoas é salvífico para nós somente como exemplo: ‘Se somos afligidos, é para o vosso conforto e salvação’ (2Cor 1,6).”

Sed dicendum quod passio Christi fuit nobis salutifera non solum per modum exempli, secundum illud I Petr. II, 21: Christus passus est pro nobis, vobis relinquens exemplum, ut sequamini vestigia eius, sed etiam per modum meriti, et per modum efficaciae, inquantum eius sanguine redempti et iustificati sumus, secundum illud Hebr. ultimo: ut sanctificaret per suum sanguinem populum, extra portam passus est. Sed passio aliorum nobis est salutifera solum per modum exempli, secundum illud II Cor. I, 6: sive tribulamur, pro vestra exhortatione et salute.
— Santo Tomás de Aquino comentando sobre 1Coríntios 10,17a, tendo em vista Colossenses 1,24

Alega um protestante que o sofrimento dos santos, segundo Santo Tomás na passagem acima, não pode ser salvífico para outras pessoas de modo meritório, mas apenas como inspiração e exemplo a imitar, contradizendo a leitura católica tradicional de que os méritos dos santos poderem contribuir efetivamente para a salvação de terceiros. Ele está correto?

Vejamos o que indicou Santo Tomás em outros escritos:

Como do sobredito resulta, as nossas obras podem ser meritórias, por duas razões. Primeiro, em virtude da moção divina, e então, merecemos condignamente. Depois, por procederem do livre arbítrio, pelo qual agimos voluntariamente. E por este lado, o mérito é côngruo; pois é congruente, que o homem, usando bem das suas capacidades, Deus obre mais excelentemente, de conformidade com a sobreexcelência do seu poder.

Por onde é claro que, por mérito condigno, ninguém, salvo Cristo, pode merecer para outrem a primeira graça. Porque todos nós somos movidos por Deus, pelo dom da graça, para chegarmos à vida eterna; e portanto, o mérito condigno não pode ir além dessa moção. A alma de Cristo, porém, recebeu, pela graça, essa moção divina, não só para alcançar a glória da vida eterna, mas também para levar os outros para ela, como cabeça da Igreja e autor da salvação humana, conforme a Escritura: levou muitos filhos à glória, ele o autor da salvação etc.

Por mérito côngruo, porém, podemos merecer para outrem a primeira graça. pois, o homem, constituído em graça, cumprindo a vontade de deus, é congruente que Deus, por uma amizade proporcional, cumpra a vontade de um relativa à salvação de outro. Embora, às vezes, possa advir impedimento por parte daquele a quem esse justo desejava a justificação.” (ST Ia-IIae, Q. 114, A. 6)

A cabeça e os membros constituem uma como pessoa mística. Por isso a satisfação de Cristo pertence a todos os fiéis, como aos seus membros. Assim, também quando dois homens estão unidos pela caridade, um pode satisfazer por outro, como a seguir se dirá. Mas o mesmo não se dá com a confissão e o arrependimento; porque a satisfação consiste num ato exterior, para o qual se podem empregar instrumentos, entre os quais se contam também os amigos.” (ST IIIa, Q. 48, A. 2)

Para entender corretamente, é preciso notar que Santo Tomás distingue claramente o mérito salvífico de Cristo (de condigno), colocando-o em outra ordem acima da do mérito dos sofrimentos dos santos em favor de outros (de congruo). A preocupação do Aquinate no texto aduzido pelo protestante é afirmar que os sofrimentos do Redentor nos dão a salvação de modo absoluto, eficaz e universal, coisa que nossos sofrimentos, por mais meritórios que sejam realizados em estado de graça, não podem fazer sozinhos, mesmo porque seu poder sobrenatural deriva necessária e unicamente da eficácia salvífica do sacrifício da Cruz. Os sofrimentos dos santos aproveitam à Igreja de modo intrínseco, portanto, não no mesmo sentido que os sofrimentos de Cristo, como se a estes faltasse algo em perfeição. Por sua própria natureza, os sofrimentos dos santos são tão somente sinais, exemplos, que nos apontam o caminho que devemos seguir, ou seja, remetem-nos ao sacrifício de Cristo, este sim, o único ABSOLUTAMENTE eficaz para a nossa salvação. Entretanto, isto não exclui a possibilidade destes sofrimentos contribuírem de modo secundário, em união – sempre – aos sofrimentos de Cristo, para a salvação destas ou daquelas almas. De outro modo, é apenas Cristo que nos livra da culpa e da pena eterna, enquanto os méritos dos santos nos liberam mormente das penas temporais e nos ajudam a tirar proveito da Redenção que Ele realizou. A nossa redenção foi realizada APENAS por Cristo, na medida em que Ele é a Cabeça da Igreja e o Autor da Salvação. Os santos, por outro lado, podem merecer a graça para outras pessoas com seu sofrimento somente por causa de sua amizade com Deus e, em todas as vezes em que isto ocorrer, será mediante o contato direto com a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo e seus infinitos merecimentos. Apenas Nosso Senhor Jesus Cristo é ABSOLUTAMENTE o Redentor da humanidade.

Ora, como dissemos antes, um pode satisfazer por outro. Os santos porém, cujas obras encerram uma superabundância de satisfação, não nas praticaram por ninguém que em particular precisasse de perdão, pois do contrário, conseguiria esse o perdão sem necessidade de nenhuma indulgência; mas as praticaram, em geral para toda a Igreja, como o Apóstolo diz de si, que cumpre o que resta a padecer a Jesus Cristo pelo seu corpo, que é a Igreja, à qual escreve. E assim, os referidos méritos são comuns a toda a Igreja.” (ST Suppl. Q. 25, A. 1. O suplemento da Suma não foi escrito por Santo Tomás, mas usa outros de seus escritos como fonte)

Para resolver esta questão, deve-se notar, como dito antes, que a obra de uma pessoa pode trazer satisfação para outra designada em sua intenção.

Mas Cristo derramou seu Sangue pela Igreja, e fez e sofreu muitas outras coisas que são consideradas de valor infinito em razão da dignidade de sua pessoa. Assim lemos no livro da Sabedoria (Sb 7,14) que nela “há um tesouro infinito para os homens”. DO MESMO MODO TODOS OS OUTROS SANTOS TINHAM A INTENÇÃO, NAS COISAS QUE SOFRERAM E FIZERAM POR DEUS, de produzir o bem não apenas para si mesmos, mas para TODA A IGREJA.” (De quolibet 2 8.2 corp.)

Uma explicação adicional do pensamento do Doutor Angélico sobre o mérito dos sofrimentos dos santos encontramo-la em uma obra do Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, de onde retirei alguns argumentos apresentados acima:

Como observa Cajetano, surge uma dúvida em relação a esta resposta [os sofrimentos dos santos são apenas exemplo e exortação para os fiéis, e não meritórios], porque diz o santo Doutor em outro lugar (Com. in IV Sent. d. 20, a. I, quaestiuncula prima) que o tesouro da Igreja, do qual as indulgências derivam sua eficácia, contém os sofrimentos dos santos. O Papa Clemente VI (N. do T.: 1342-1352, defensor e promotor da obra de Santo Tomás) expressamente afirma o mesmo (Denz. ns. 552, 757, 1471, 3051). Mas é um fato evidente que os sofrimentos aplicados a nós através das indulgências por via de satisfação e, deste modo, por via de redenção, são benéficos para a Igreja [assim o justo pode merecer de congruo (por conveniência) a conversão de um pecador, como Santa Mônica mereceu a conversão de Santo Agostinho. Ver-se também Ia IIae, q. 114, a. 6].

Cajetano acertadamente responde esta dificuldade dizendo: ‘O autor tem em mente, no entanto, os sofrimentos dos santos absolutamente considerados. Logo entre os sofrimentos de Cristo e os sofrimentos dos santos existem muitos pontos de diferença. O primeiro está na palavra ‘sofrimentos’. Pois os sofrimentos de Cristo absolutamente redimem a Igreja, enquanto os sofrimentos dos santos não o fazem absolutamente, mas satisfazem em nosso favor apenas por modo de superabundância, como dito por Santo Tomás aqui e como é ensinado na bula de Clemente VI. A segunda diferença está na palavra ‘redenção’, pois a Paixão de Cristo nos redime absolutamente, uma vez que ela nos liberta da culpa e da punição. Mas os sofrimentos dos santos nos redimem apenas em um sentido relativo, a saber, de um certo tipo de castigo, a pena temporal devida pelo pecado atual. O terceiro está na palavra ‘benéfico’. É porque a Paixão de Cristo beneficia a Igreja de modo redentor, mesmo que não exista ação da chave da Igreja para nos abrir a sua porta; mas os sofrimentos dos santos são satisfatórios em meu favor apenas quando a autoridade do poder das chaves é aplicada a mim.’

‘Portanto são muitas as condições necessárias para assegurar o fato de que os sofrimentos dos santos beneficiam a Igreja de modo redentor, e por esta razão a resposta afirmativa é apenas relativamente verdadeira; poderíamos simplesmente e incondicionalmente negar a asserção sem qualquer prejuízo para a verdade, e dizer que os sofrimentos dos santos não beneficiam a Igreja deste modo. E, junto com a verdade desta conclusão negativa, fica evidente que o mesmo deva ser dito da doutrina a respeito da eficácia das indulgências dos méritos dos santos’ (Com. in IV Sent., d. 20, a. I, quaestiuncula Ia. Ver também Cajetano, Com. in Ep. ad Gal., 120, e seu tratado De fide et moribus contra Lutherum, cap. 9, traduzido por Em. Mersch, S. J., in seu ‘Le corps mystique’, Etude de théol. historique, II, 275). Tal é a conclusão de Cajetano. Mais sucintamente, é apenas Cristo que nos liberta da culpa e do castigo eterno, enquanto os méritos dos santos nos libertam da pena temporal, e isto apenas com base na compreensão prévia de que ‘nossa redenção foi realizada somente por Cristo… na medida em que Ele é a Cabeça da Igreja e o Autor da salvação humana, como ensina a Escritura, e os santos podem merecer a primeira graça para outros apenas de modo côngruo’ (cf. Ia IIae, q. 114, a. 6, c.; Hb 2,10).

Além disso, Santo Tomás torna seu pensamento mais explícito neste assunto ao comentar as palavras do Apóstolo: ‘Completo aquilo que falta ao sofrimento de Cristo’ (Cl 1,24). Diz ele: ‘Estas palavras, tomadas literalmente, poderiam ser interpretadas em um sentido errado, como indicando que a Paixão de Cristo foi insuficiente para nossa redenção, e que os sofrimentos dos santos lhe foram acrescentados para complementá-la. Mas tal modo de ver é herético, porque o Sangue de Cristo é suficiente para redimir até mesmo muitos mundos… Estas palavras, no entando, devem ser entendidas como significando que Cristo e a Igreja constituem uma pessoa mística, cuja Cabeça é Cristo e o Corpo são todos os justos. Qualquer justo é, por assim dizer, um membro desta Cabeça… Contudo, Deus ordenou e predestinou quanto mérito deveria existir em toda a Igreja, na Cabeça e em seus membros, do mesmo modo que predestinou o número dos eleitos. Entre esses méritos os sofrimentos dos santos mártires são especialmente incluídos. Os méritos de Cristo, a Cabeça, são infinitos; mas cada santo contribui proporcionalmente com sua fração de méritos… Logo também todos os santos sofrem pela Igreja, que é fortificada pelo seu exemplo’ (Com. in Ep. ad Col.).

Destarte, Cristo somente é o Redentor. (…) Finalmente, uma vez que os méritos de Cristo são infinitos e os dos santos são finitos, pode-se dizer que os sofrimentos dos santos acrescentam algo que não é intensivamente, mas apenas extensivamente finito, como quando dizemos que Deus e a criatura não formam mais ser que Deus sozinho, pois depois da criação existem mais seres, mas somente extensivamente mais do ser. Logo, somente Cristo é absolutamente o Redentor do gênero humano.” (Rev. Reginald Garrigou-Lagrange, Christ the Saviour – A Commentary on the Third Part of St. Thomas’ Theological Summa, Ex Fontibus Company, 2012, pp. 597-599, minha tradução).

Quem esmaga a cabeça da serpente?

janeiro 20, 2017

power_crushserpentA imagem de Maria esmagando a cabeça da serpente nos remete à tradução latina de São Jerônimo para o verso 15 do capítulo 3 do Gênesis: “Inimicitias ponam inter te et mulierem, et semen tuum et semen illius: IPSA conteret caput tuum, et tu insidiaberis calcaneo eius“, “Porei ódio entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. ESTA te esmagará a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.” De acordo com o texto hebraico massorético (que remonta à Idade Média, tendo sido preparado entre os séculos VII e XI) do Pentateuco, o pronome “hw’” pode tanto ser interpretado como significando “hu’” (ele, ipse) ou “hi’” (ela, ipsa), mas o verbo “esmagar” (yesafeka) está no masculino (a forma feminina seria tesufeka) e o verbo “ferir” possui objeto desse mesmo gênero. Estudos filológicos recentes, no entanto, admitem que a tradução ipsa, escolhida por São Jerônimo, pode ser considerada legítima porque “no Pentateuco se encontram muitos pronomes masculinos (q’re) compreendidos num sentido feminino” (D. Scaiola, Testi tradizionale rivisitati (Gn 3,15; Is. 7,14), in Theotokos 8 (2002) 563; em uma nota Scaiola cita P. Jouon, Grammaire de l’hébreu biblique, Roma 1947, § 16f. 39c.). Relativamente às três versões do pronome do pronome de Gn 3,15: no hebraico (neutro), no grego (masculino, LXX) e no latim (feminino, Vulgata), “a leitura masculina (ipse) produz uma ‘transição violenta da forma neutra para a masculina’. (…) a variante ipse, testemunhada nos códices O, S e T é obviamente uma adição ao texto da Septuaginta e, portanto uma confirmação da autenticidade de ipsa. Por esta razão, não se pode qualificar como arbitrária uma interpretação mariológica direta de Gn 3,15” (U. Vanni, La Donna della Genesi (3,15) e la Donna dell’Aposcalisse (12,1) nella “Redemptoris Mater,” in Marianum 50 (1988) 428-429, nota 14).

O sábio judeu Maimônides (+1204, que conhecia bem o texto massorético) afirma claramente que uma mulher pisará na cabeça da serpente (More Nebochim, Parte II, cap. 30). Um estudo realizado por T. Callus a respeito da interpretação de Gn 3,15 desde os Padres da Igreja até o século XIX mostra que, entre 385 autores, pelo menos 321 (83%) afirmam o sentido mariano deste versículo (T. Callus, S.J., Interpretatio mariologica Protoevangelio, vol. 1, Tempore post-patristico ad Concilium Tridentinum (Roma, 1949); vol. 2, A Concilio Tridentino usque ad annum 1660 (Roma, 1953); Vol. 3, Ab anno 1661 usque ad definitionem dogmaticum Immaculatae Conceptionis (1854) (Rome, 1954)). Em outro estudo, dessa vez investigando apenas o pensamento de estudiosos protestantes, Callus elencou setenta professores protestantes que aceitam plenamente a interpretação messiânica e mariológica de Gn 3,15 (Der Nachkomme der Frau in der Alt lutheranischen Schriftauslegung. Ein Beitrag zur Geschichte der Exegese von Gen 3, 15, vol. 2 (Klagenfurt, 1973)).

Um paralelo interessante em que mulheres aparecem “esmagando a cabeça” de um inimigo podemos encontrar em duas passagens do Antigo Testamento. Vejamos Jz 5,24-26: “Bendita seja entre as mulheres Jael, mulher de Heber, o quenita! Entre as mulheres da tenda seja bendita! Ao que pediu água ofereceu leite; serviu nata em taça nobre. Com uma das mãos segurou o prego, e com a outra o martelo de operário, e malhou Sísara, espedaçando-lhe a cabeça, e esmagou-lhe a fonte e a transpassou.” E ainda Jt 13,17-19: “Louvai ao Senhor nosso Deus, disse-lhes ela, que não abandonou os que puseram nele a sua esperança, e que cumpriu pelas mãos de sua serva a sua promessa de misericórdia à casa de Israel; esta noite ele matou por minha mão o inimigo de seu povo. Retirando então do saco a cabeça de Holofernes, mostrou-lha dizendo: Eis a cabeça de Holofernes, marechal do exército assírio, e eis o cortinado do baldaquino onde se achava deitado, ébrio a cair, quando o Senhor, nosso Deus, o feriu pela mão de uma mulher.” São Paulo diz, profeticamente, que a Igreja de Roma (igreja-feminino) esmagará a cabeça de Satanás: “O Deus da paz em breve não tardará a esmagar Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco!” (Rm 16,20) De fato, a Igreja é a descendência da Mulher-Maria, conforme lemos no Apocalipse: “O Dragão, vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino. Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o deserto, para o lugar de seu retiro, onde é alimentada por um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, fora do alcance da cabeça da Serpente. A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara. Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.” (Ap 12,13-17) Note-se aqui como a Mulher é colocada “fora do alcance da cabeça da Serpente”, indicando que esta tentaria dar-lhe o bote. Ora, em Gn 3,15 vemos que a serpente tenta ferir – no hebraico – um ente masculino, mas no Apocalipse ela aparece atacando a Mulher – um ente feminino, e sua descendência – a Igreja, também um ente feminino. A própria Escritura, portanto, não nos força a aderir a uma interpretação de Gn 3,15 que aplique a inimizade da serpente APENAS a um homem, Jesus.

A Palavra de Deus, em sua riqueza insondável, deixa-nos duas possibilidades legítimas de tradução: a mais literal, que coloca a inimizade entre a Serpente e o Messias, descendente da Mulher, e a menos literal, mas mais harmoniosa com o texto como um todo, que estabelece inimizade entre a Serpente e a mulher Maria/Igreja, estreitamente unida a Cristo Jesus, atacada e esmagando a cabeça da serpente pelo poder recebido d’Ele.

 

Notas sobre o pecado original, graça e predileção divina

janeiro 20, 2017

original_sinNo estado antes da Queda, o homem podia naturalmente evitar o pecado (embora este dom também venha de Deus como causa primeira). Maria, concebida sem pecado, também possuía, por sua natureza íntegra, a capacidade de não pecar. Os dom preternatural da imortalidade, por outro lado, divide os teólogos. Alguns crêem que Maria não passaria pela morte e, ao final de sua vida terrestre, apenas adormeceria antes de ser despertada por Seu Filho e levada em corpo e alma ao Céu. Outros dizem que, apesar de não possuir a mancha de Adão, Maria não teve o dom preternatural da imortalidade restaurado. Ela morreria, não como consequência do pecado, mas porque a natureza humana, em si mesma, é mortal. Independentemente disso, é claro que a isenção do pecado original implica, primeiramente, na existência dos dons da graça em sua alma desde o início e, em segundo lugar, dos dons naturais que o pecado de Adão comprometera.

Graça quer dizer favor divino. Reduzir a graça a uma mera vacina contra o pecado é um erro sério. Adão e Eva tinham a graça divina também, antes de pecar.

Quando São Paulo diz que “diante de Deus, não há distinção de pessoas” (Rm 2,11), o contexto mostra que ele está se referindo a distinções de nacionalidade ou etnia. Vejamos os versos imediatamente anteriores: “Tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, mas as cometes também, pensas que escaparás ao juízo de Deus? Ou desprezas as riquezas da sua bondade, tolerância e longanimidade, desconhecendo que a bondade de Deus te convida ao arrependimento? Mas, pela tua obstinação e coração impenitente, vais acumulando ira contra ti, para o dia da cólera e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade; mas ira e indignação aos contumazes, rebeldes à verdade e seguidores do mal. Tribulação e angústia sobrevirão a todo aquele que pratica o mal, primeiro ao judeu e depois ao grego; mas glória, honra e paz a todo o que faz o bem, primeiro ao judeu e depois ao grego. Porque, diante de Deus, não há distinção de pessoas” (Rm 2,3-11). Trata-se, portanto, de afirmar que tanto judeus como gregos serão julgados da mesma forma, de acordo com suas ações, e não pelo simples fato de pertencerem a um ou outro povo. Nos Atos dos Apóstolos também lemos: “Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo.” O contexto é o mesmo: tanto judeus como pagãos, se buscarem a Deus, são tratados igualmente. Nada se diz aqui contra o fato de Deus conceder bens diferentes a cada um, tanto na ordem natural como na ordem da graça, amando mais a quem recebe mais e amando menos a quem recebe menos.

Notas sobre a presença eucarística

janeiro 20, 2017

eucharistic-bread1. Diferença entre presença substancial e presença espiritual

É a mesma diferença que existe entre a presença de Deus em toda a parte e a presença de Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Os sentidos não conseguem perceber esta diferença, mas ela é real e fundamental: se pudéssemos nos encontrar fisicamente com Nosso Senhor, estaríamos diante do próprio Deus de um modo completamente diferente do modo como o encontramos na Criação.

Na Eucaristia não podemos perceber sensivelmente a presença de Cristo, mas sabemos, pela fé, que Ele está substancialmente presente sob as aparências de pão e vinho, como a divindade estava – e ainda está – substancialmente presente sob a aparência de um homem.

No homem Jesus, não havia como detectar fisicamente a presença da divindade unida hipostaticamente à natureza humana.

Na Eucaristia, não há como detectar fisicamente a presença substancial de Nosso Senhor.

A divindade se esconde sob o véu da humanidade de Cristo.

Cristo se esconde sob o véu dos acidentes de pão e vinho.

2. Uso dos termos pão e vinho após a consagração eucarística para quem professa a crença na transubstanciação

Não é ilícito falar do pão e do vinho consagrados como pão e vinho desde que se tenha em mente que esta é uma referência aos acidentes, não à substância.

Do mesmo modo que é lícito falar que o Sol nasce e se põe, segundo as aparências, embora na realidade seja a Terra que se move.

O Catecismo da Igreja Católica chama a Eucaristia de “Fração do Pão” (n. 1329), diz que nela todos comemos de Cristo, único pão partido, e que a Eucaristia é o pão dos anjos e o pão do céu (n. 1331). Também afirma esse documento que a Eucaristia é “pão único” (n. 1335).

Portanto, não procede a acusação de quem crê na transubstanciação deve absolutamente evitar falar de pão e vinho após a consagração.