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Onde está a coerência?

junho 1, 2006


Vi um protestante declarar que os católicos adoram tanto a Deus como aos santos, embora em graus diferentes.

É uma acusação ridícula e falsa, além de muito velha.

A Igreja não promove a idolatria. A Igreja não se paganizou.

O paganismo é que foi batizado, purgado de seus erros.

Já dizia São Paulo:

Embora livre de sujeição de qualquer pessoa, eu me fiz servo de todos para ganhar o maior número possível. Para os judeus fiz-me judeu, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, fiz-me como se eu estivesse debaixo da lei, embora o não esteja, a fim de ganhar aqueles que estão debaixo da lei. Para os que não têm lei, fiz-me como se eu não tivesse lei, ainda que eu não esteja isento da lei de Deus – porquanto estou sob a lei de Cristo -, a fim de ganhar os que não têm lei. Fiz-me fraco com os fracos, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de salvar a todos” (1 Cor 9, 19-23).

A Igreja assimilou tudo o que havia de bom e verdadeiro na cultura greco-romana, um processo chamado de inculturação.

A inculturação tem seus riscos, mas é uma exigência da necessidade de levar o Evangelho a todos os povos.

O culto aos santos nasceu do culto aos mártires, que é registrado já nos primeiros séculos da era cristã. Basta recordar o antiquíssimo costume da veneração de relíquias. “Quanto aos mártires, nós os amamos justamente como discípulos e imitadores do Senhor, por causa da incomparável devoção que tinham para com seu rei e mestre. Pudéssemos nós, também ser seus companheiros e condiscípulos” (Martírio de São Policarpo, Epístola da Igreja de Esmirna à Igreja de Filomélio, na Frígia, por volta de 160 d.C.).

A idéia de que os santos no Céu podem interceder por nós aparece claramente antes das solenes definições sobre a Trindade e a natureza de Cristo que a maior parte dos protestantes reconhecem. Escreveu Orígenes (+ 253 ou 254 d.C.): “Não somente o Sumo Sacerdote [Cristo] intercede por aqueles que oram sinceramente, mas também os anjos… bem como as almas dos santos que já adormeceram” (Tratado Sobre a Oração).

Um papiro encontrado no Egito, datado do século III, contém esta oração mariana:

Sub tuum praesidium confugimus, Sancta Dei Genetrix. Nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta. Amen.

À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Amém.

Recorrer à Virgem Maria e aos santos não é uma inovação constantiniana. É um desenvolvimento legítimo da doutrina cristã, que existe tanto na Igreja latina como nas Igrejas Orientais.

Como podem os protestantes rejeitar a Igreja Católica com a acusação de idolatria e aceitar os dogmas de Nicéia, Constantinopla, Éfeso e Calcedônia, proclamados por esta mesma Igreja?

Onde está a coerência?

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