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O Sacrifício Eterno

março 20, 2008

Neste primeiro dia do Tríduo Pascal, a liturgia nos leva a meditar naquela ceia derradeira, durante a qual Nosso Senhor, antecipando o Sacrifício da Cruz, celebrou a primeira Missa.

O que é a Missa? A melhor definição que existe foi dada pelo Concílio de Trento (1545-1563):

“Assim, este Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo, embora por sua morte se havia de oferecer uma só vez ao Eterno Pai no altar da cruz, para nele obrar a redenção eterna, contudo, já que pela morte não se devia extinguir o seu sacerdócio (Hb 7,24.27), na última ceia, na noite em que ia ser entregue, querendo deixar à Igreja, sua amada Esposa, como pede a natureza humana, um sacrifício visível [cân. 1] que representasse o sacrifício cruento a realizar uma só vez na Cruz, e para que a sua memória durasse até a consumação dos séculos e a sua salutar virtude fosse aplicada para remissão dos nossos pecados quotidianos, declarando-se sacerdote perpétuo segundo a ordem de Melquisedec (Sl 109,4), ofereceu a Deus Pai o seu corpo e sangue sob as espécies do pão e do vinho e, sob as mesmas espécies, entregou Corpo e Sangue aos Apóstolos que então constituiu sacerdotes do Novo Testamento para que o recebessem, mandando-lhes, e aos sucessores deles no sacerdócio, que fizessem a mesma oblação: Fazei isto em memória, de mim (Lc 22,19; 1 Cor 11,24), como a Igreja Católica sempre entendeu e ensinou [cân. 2]. E assim, celebrada a antiga Páscoa, que a multidão dos filhos de Israel imolava em memória da saída do Egito (Ex 12,1ss), instituiu a nova Páscoa, imolando-se a si mesmo pela Igreja por mão dos sacerdotes, debaixo de sinais visíveis, em memória do seu trânsito deste mundo para o Pai, quando nos remiu pela efusão do seu sangue e nos tirou do poder das trevas, transferindo-nos ao seu reino (Cl 1,13)” (Sessão XXII, n. 938).

A Santa Missa é o mesmo Sacrifício da Cruz que se torna atual para nós, para que dele possamos receber a graça infinita da redenção.

O mistério do Calvário transcende o tempo: a morte de Nosso Senhor não é um evento de vinte séculos atrás.

Aos olhos de Deus, todos os eventos que se sucedem no tempo são simultâneos. Diante d’Ele, não há ontem ou amanhã.

A Cruz do Senhor está sempre diante dos olhos de Deus. O sacerdócio do Cristo é eterno.

Ao instituir a Missa, Nosso Senhor nos deu uma conexão sobrenatural permanente com o evento de sua morte.

É por isso que podemos dizer que a Missa é, em essência, o único Sacrifício da Cruz. A diferença é acidental, a oblação é incruenta, efetuada por meio da consagração em separado das espécies do pão e do vinho, que se transformam no Corpo e no Sangue do Redentor.

“Os frutos da oblação cruenta se recebem abundantemente por meio desta oblação incruenta, nem tão pouco esta derroga aquela [cân. 4]” (Sessão XXII, n. 940).

A Missa de todos os séculos é una com a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo em Jerusalém há dois mil anos.

Caem assim por terra as objeções dos protestantes, que acusam a Missa de ser outro sacrifício, uma negação da eficácia do sacrifício do Calvário.

A Missa é a oblação perfeita, “oferecida uma vez por todas” na cruz.

E a Ceia, anterior à Paixão, ilustra claramente o poder divino que ultrapassa as barreiras de tempo e lugar.

A Missa é a máxima expressão do amor de Jesus Cristo por nós.

Portanto, “aproximemo-nos confiadamente do trono da graça, a fim de alcançar misericórdia e achar a graça de um auxílio oportuno” (Hb 4,16).

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