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O escândalo eucarístico

setembro 22, 2010

“Dizem que sou louco, mas minha filha todos os domingos come o seu deus, que fecundou uma Virgem de si mesmo há dois mil anos atrás, e minha esposa, espírita, diz que pode conversar com os mortos”. Este é, mais ou menos, o pensamento apresentado por um colega de trabalho, ateu, ontem de tarde.

De fato, num primeiro momento, a idéia da presença real de nosso Senhor na Eucaristia, que sua Carne e seu Sangue são verdadeiro alimento para nós, que Ele se dá como comida a nós, é chocante, e até repulsiva, por evocar o canibalismo.

É loucura a idéia de canibalizar a divindade.

No entanto, uma análise mais cuidadosa revela que o escândalo eucarístico é bem outro.

A Igreja afirma que a Eucaristia é verdadeiramente o Corpo e o Sangue de Cristo, unidos com sua alma humana e sua divindade. Mas também afirma que a presença de Cristo no sacramento é substancial, não acidental, ou seja, a Eucaristia é Nosso Senhor, mas sua aparência e propriedades físico-químicas, seus acidentes, continuam sendo de pão e vinho.

Quando comemos a hóstia consagrada, portanto, a Carne e o Sangue de Cristo em si mesmas (e em seus acidentes próprios) nada sofrem, como acontece com o alimento comum. No canibalismo, a vítima é fisicamente destruída. Na Eucaristia, o Cristo que se dá como alimento está e permanece sempre vivo e não é e nem pode ser destruído.

Através do contato com seu Corpo substancialmente presente na Eucaristia, Nosso Senhor nos comunica sua graça, fazendo-nos participantes de sua imortalidade e unindo-nos a Deus.

Não é portanto, para servir de comida comum que Cristo se dá como alimento, mas sim para nos dar, por meio da presença de seu próprio Corpo, o alimento sobrenatural da graça, a comunhão com Ele. É esta comunhão que nos sustenta em nossa peregrinação até a casa do Pai e nos torna semelhantes a Nosso Senhor.

E disto decorre o escândalo que meu colega, um materialista que condena as religiões por excesso de “espiritualismo”, não conseguiu enxergar: a doutrina católica revela que Deus se serviu e se serve da matéria ordinária para comunicar aos homens a sua graça e a sua salvação. A própria encarnação, que ele tenta ridicularizar no modo como descreve o nascimento virginal, demonstra que, ao contrário do que pensam muitas religiões “espiritualistas” (inclusive o espiritismo da esposa dele), a fé católica proclama a dignidade da matéria, afirma que a matéria não é algo mau ou sem importância, que deve ser aniquilado diante de entes imateriais. O mundo visível, o mundo que experimentamos pelos sentidos, é bom, é querido por Deus, não é algo sujo e vil.

A matéria faz parte e é essencial para a realização do mais importante sacramento da fé.

A crença na Eucaristia, portanto, não é absurda, não é contrária à ciência (que é impotente, em virtude de seu próprio método, para dizer algo a respeito desta doutrina) nem à razão. Cremos no milagre da transubstanciação porque cremos nas palavras de Jesus: “se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos” (Jo 6,53). A razão da nossa fé é o próprio Jesus Cristo, e negar a Eucaristia é duvidar d’Ele, negando sua divindade, que pode ser provada além de qualquer dúvida razoável quando se considera o que dizem os Evangelhos e o testemunho histórico da Igreja e dos milagres que, ao longo dos séculos, confirmam a veracidade de seus ensinamentos.

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