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Christus Rex

novembro 20, 2011

Cristo é Rei. Seu Reino, contudo, não é deste mundo (Jo 18,36).

O que isto significa? Que não existe lugar no mundo para uma ordem social inspirada no Evangelho? Que os Estados não devem se submeter a Cristo? Que a fé deve ser algo exclusivamente pessoal?

De jeito nenhum. A fé sobrenatural aperfeiçoa a natureza, e a natureza humana inclui, sim, o aspecto social.

Portanto, uma sociedade de pessoas batizadas deve ser transformada sobrenaturalmente em suas estruturas políticas e econômicas.

Todas as coisas estão sob o domínio de Cristo. Nada pode ficar fora da jurisdição de sua realeza. “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor” (Fl 2,6-11).

Na Idade Média, os povos da Europa formavam uma comunidade política que tinha Deus como fim último e Nosso Senhor Jesus Cristo como Rei: a Cristandade. Infelizmente, o pecado do orgulho, as paixões carnais e a corrupção da inteligência arruinaram esta comunidade. A sede de poder dos príncipes, que sempre haviam tentado subordinar a Igreja a seus interesses temporais, cresceu desmesuradamente. A soma de todos esses fatores: heresia (Reforma Protestante), ceticismo e apostasia (Iluminismo) e absolutismo (o rei possui poderes ilimitados sobre seus cidadãos).

A mistura e fermentação desses elementos deu origem ao mundo moderno. A heresia, em pé de igualdade com o catolicismo, faz da religião uma matéria privada. “Segue-se que o Estado, não se julga vinculado a nenhuma obrigação para com Deus, não professa oficialmente nenhuma religião… deve apenas a todas atribuir igualdade de direito civil, com o único fim de impedi-las de perturbar a ordem pública” (Leão XIII, Immortale Dei, 32). As elites intelectuais tornam-se atéias, agnósticas, sincretistas ou indiferentes. Os reis são sucedidos por déspotas que propõem utopias coletivistas no lugar do Reino de Cristo (nazismo e comunismo, irmãos siameses).

Ora, os Estados devem se submeter ao império do Bom Pastor. Este império se manifesta de dois modos: primeiro, pela obediência à lei natural, o que significa que o Estado deve combater, e não legitimar, abominações como o aborto, a eutanásia, a pornografia e a glorificação da promiscuidade e de atos homossexuais. Significa também que o Estado deve ter em vista o bem comum, respeitando as hierarquias naturais e o princípio de subsidiariedade, intervindo somente quando as instâncias inferiores não forem efetivas (o Estado deve ser um mantenedor da ordem, não o criador de uma nova ordem artificial).

O segundo modo diz respeito aos direitos da verdadeira religião, da verdadeira fé, que devem ser assegurados pelo Estado. O Estado não pode afirmar que todas as religiões são iguais. Se necessário, para evitar um mal maior, pode tolerar outras religiões, mas jamais poderá ser indiferente quando entra em questão a salvação das almas.

Estaria a Igreja, então, defendendo uma espécie de teocracia totalitária? Não, porque o Estado conserva sua autonomia relativa e não é controlado pela Igreja. A César o que é de César, a Deus o que é de Deus. Nada, porém, pode ficar fora do senhorio de Jesus Cristo, Rei do Universo.

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