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A Jesus por Maria

dezembro 18, 2011

Quando chama uma pessoa para desempenhar uma missão, Deus também concede as graças necessárias para que a missão seja cumprida com êxito.

“Tal como a chuva e a neve caem do céu e para lá não volvem sem ter regado a terra, sem a ter fecundado, e feito germinar as plantas, sem dar o grão a semear e o pão a comer, assim acontece à palavra que minha boca profere: não volta sem ter produzido seu efeito, sem ter executado minha vontade e cumprido sua missão” (Is 55,10-11).

Deus predestina aqueles que chama:

“Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que este seja o primogênito entre uma multidão de irmãos. E aos que predestinou, também os chamou; e aos que chamou, também os justificou; e aos que justificou, também os glorificou” (Rm 8,29s).

Quanto mais extraordinária a missão, mais extraordinária deve ser a graça concedida para realizá-la.

Pensemos, então, no quão extraordinária é a missão da Santíssima Virgem: ser Mãe do Verbo de Deus encarnado.

Pensemos que nenhum outro ser humano, antes ou depois de Nossa Senhora, recebeu de Deus esta vocação (e, por favor, não nos deixemos iludir por picuinhas protestantes de que somos todos “mães e irmãos de Jesus” em virtude da obediência, distorcendo o sentido das palavras de Nosso Senhor em Mt 12,49s (*). O que aconteceu com Maria, em seu corpo e em sua alma, foi muito mais profundo do que uma mera união de vontade com Deus: o Verbo SE FEZ CARNE NELA, SOMENTE NELA, EM NINGUÉM MAIS).

Que graças extraordinárias o Pai Eterno não deve ter concedido àquela que escolheu para ser Mãe de seu Filho?

Pensemos no que deve ser dado para alguém ser Mãe de Deus!

Não é à toa que o anjo a chama de “cheia de graça” (Lc 1,28). Este é o nome de Maria Santíssima! Plena da graça de Deus por sua vocação, sua alma não tinha lugar para a mancha do pecado original (da qual foi protegida pelos méritos de seu Filho e Redentor), ou de qualquer outro pecado.

Sim, Deus preparou uma Mãe digna para seu Filho.

Como poderia, então, a Mãe de Deus, depois de ter dado à luz o próprio Deus, ter tido uma vida conjugal natural com São José (que também foi abençoado com graças extraordinárias para ser o pai adotivo do Salvador), concebendo outros filhos depois de Nosso Senhor Jesus Cristo?

Como pode o santuário preparado por Deus para ser o tabernáculo de seu Filho Unigênito ter outros filhos?

“Ele reconduziu-me ao pórtico exterior do santuário, que fica fronteiro ao oriente, o qual se achava fechado. O Senhor disse-me: Este pórtico ficará fechado. Ninguém o abrirá, ninguém aí passará, porque o Senhor, Deus de Israel, aí passou; ele permanecerá fechado” (Ez 44,1s).

Assim, a Virgem Maria permaneceu sempre virgem, antes, durante e depois do nascimento de Nosso Senhor. E é razoável, eu diria praticamente necessário, afirmar que ela já estava preparada para isso. Quando Nossa Senhora pergunta ao anjo:

“Como se fará isso, pois não conheço homem?” (Lc 1,34)

Não se trata aqui, como propõem alguns exegetas, de um recurso literário do evangelista para indicar que Nosso Senhor não possuirá um pai humano. A Virgem diz “não conheço homem”, no presente, como se afirmasse um propósito, já tendo em mente, em virtude das graças recebidas de Deus em preparação para sua missão, que ela devia se consagrar inteiramente ao Senhor por um voto, mesmo dentro do casamento (Nm 30).

Todas as verdades sobre Maria são relativas a Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela é Imaculada por causa dos méritos de Cristo. Ela é Mãe de Deus, porque Cristo é Deus. Ela é virgem perpétua por pertencer totalmente a Cristo. Ela foi assunta ao Céu por ter sido o tabernáculo do Salvador, a arca da Nova Aliança. Tudo nela aponta para Ele e diz: “Ele é o Mestre e o Senhor, obedecei ao que Ele ordena, fazei a sua vontade” (Jo 2,5). E é a última vontade de Nosso Senhor, antes de sua morte na Cruz, que o seu discípulo a receba como Mãe (Jo 19,25-27).

Sejamos, portanto, obedientes ao que o Senhor prescreveu. Recebamos Maria como Mãe, e peçamos a ela que cuide de nós e nos ensine a ser verdadeiros discípulos de Jesus Cristo.

(*) Nosso Senhor, nesta passagem do Evangelho, afirma que quem faz a vontade do Pai é seu irmão e sua mãe. Se considerarmos, porém, o contexto destas palavras, num quadro de confronto com os judeus, que usavam as origens humildes de Jesus para desacreditá-lo, fica claro que a intenção do Divino Mestre não é (e nem poderia ser) desprezar sua Mãe, mas revelar que sua origem não é humana, mas divina (chama Deus de MEU Pai). Obedecer a Deus é acreditar no Filho de Deus, e quem o faz torna-se parte da Sagrada Família.

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