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Sacerdócio em crise?

abril 5, 2012

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Cristo instituiu o sacerdócio ministerial* ao dar a seus Apóstolos o poder de oferecer o Santo Sacrifício da Missa (que não é repetição, como acusam os protestantes, mas o mesmo Sacrifício da Cruz realizado de outro modo). O sacerdócio eterno de Cristo (Hb 7,17) continua no tempo, através dos ministros ordenados, presbíteros e bispos da Igreja. Do sacerdote se exige muito, pois ele é o pastor que cuida para que ninguém se desvie da fé, salvando, curando e santificando por meio dos sacramentos.

Do sacerdote, na Igreja latina, exige-se mais uma coisa: o compromisso do celibato, ou seja, a renúncia ao casamento para o serviço de Deus (Mt 19,12). Diga-se de passagem, a mentalidade do século não enxerga valor nenhum nisso (ou em qualquer outra forma de sacrifício individual) e, também, despreza o casamento, louvando abertamente a promiscuidade e os atos contrários à natureza.

Grande, hoje, é a crise no sacerdócio. Há padres que diluem a doutrina de Cristo para torná-la mais palatável aos gostos modernos, e há padres que procuram seguir os modismos do dia, desobedecendo abertamente ao que a Igreja ensina. Há padres que gostam de aparecer, de ser bem vistos pela mídia, de ser elogiados e paparicados pelos fiéis. Há padres que não vivem a castidade, que possuem amantes, ou mesmo praticam a pederastia e a sodomia!

E há ainda padres que, perversão inominável, violam a inocência das crianças…

Quantos escândalos, para a alegria dos inimigos da Igreja de Deus! Quantas almas não são afastadas do caminho da salvação por causa dos maus sacerdotes!

Pior ainda quando há maus bispos, pois os bispos são responsáveis por seus padres. Quando há um bom bispo, o dano causado por um mau padre pode ser remediado. Mas o mau bispo transforma seu presbitério num celeiro de corrupção.

A tantos desmandos, somemos também o descaso com a Sagrada Liturgia, que é incontáveis vezes celebrada de modo indigno, com abusos e desordens que chegam ao sacrilégio!

Sentimo-nos tristes e desanimados diante da queda dos sacerdotes. Quem procura viver de acordo com a fé é tentado a se desesperar, a pensar que a Igreja está arruinada e que Nosso Senhor não cumpriu suas promessas (Mt 16,18).

Terrível engano. A fraqueza do clero não é de hoje, embora ela seja mais aguda em certas épocas, como a nossa. Já no Novo Testamento vemos Judas trocando o Salvador por dinheiro e as três negações de São Pedro, logo o primeiro Papa! Os Apóstolos, exceto São João Evangelista, fugiram covardemente na hora da Cruz.

Não é este um sinal para nós, de que o escândalo dos maus sacerdotes deve ser visto à luz do mistério do Gólgota? Nosso Senhor não quis forçar os homens a reconhecê-lo como Messias, não quis atrair irresistivelmente as vontades para si, mas despojou-se de sua glória divina (Fl 2,6-8) para que tivéssemos o merecimento da fé (Jo 20,29). A hora de sua glorificação é a hora em que aparece esmagado pela dor, irreconhecível, desfigurado pelas chibatadas, pela coroa de espinhos, pelas cusparadas e escarros dos seus inimigos. A Igreja também se encontra assim, vilipendiada, crucificada, ridicularizada, mormente pelo mau exemplo, pela falta de fé dos maus sacerdotes. Mas é neste momento de provação que a graça de Deus se manifesta com mais força, pois “onde abundou o pecado, superabundou a graça” (Rm 5,20). Depois de uma crise terrível, de uma tempestade que parece afundar a barca de Pedro enquanto Nosso Senhor dorme (Mt 8,24), deve vir, com certeza, a intervenção do Alto.

Nosso Senhor não ficou no sepulcro por muito tempo…

A nós, leigos, cabe rezar pelos nossos pastores, e particularmente pelo Santo Padre. Que os maus se convertam e tornem-se santos, e que Deus conserve e fortaleça cada vez mais os bons sacerdotes, que procuram cumprir com fidelidade as suas obrigações de estado. O Diabo procura atingir primeiro os sacerdotes, porque sabe que, sem eles, muito mais almas serão perdidas. Rezemos para que a Providência Divina envie logo remédio para tantos males, restabelecendo a dignidade do sacerdócio, multiplicando o número de santos, propagando e fortalecendo a fé nas almas.

De fato, no meio de tanto ruído já existem sinais, tênues, mas consistentes, de que a renovação da Igreja está a caminho**.

(*) Ver Lc 22,19; 1Cor 11,24s.

(**) Penso aqui nas medidas firmes do Papa Bento XVI contra a pedofilia no clero, na retirada da excomunhão dos bispos da SSPX, na hermenêutica da continuidade com a Tradição para o Concílio Vaticano II e na defesa de uma reforma da reforma litúrgica. São, como afirmei, indícios tênues, que se misturam com sinais contraditórios, e que apontam na direção certa.

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