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O mal não tem a última palavra

abril 8, 2012

Cristo ressuscitou! Aleluia! A ressurreição do Senhor é o evento que sustenta a fé cristã.

Sem a ressurreição, ainda estamos nas trevas, o pecado e a morte triunfam. Se Cristo não ressuscitou, não temos mais esperança. “Se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1Cor 15,14). Se não houve ressurreição, todo o bem que se fizer será inevitavelmente esquecido, sobrepujado pelo mal invencível. A tragédia de cada existência humana ficará sem salvação.

Mas, se Cristo ressuscitou, então sabemos que o perdão de Deus se ergueu definitivamente contra qualquer maldade ou mesmo a soma de todas as maldades que a humanidade pode produzir. Sabemos que o mal já foi derrotado definitivamente e que o sofrimento humano possui, em Cristo, um valor infinitamente meritório diante de Deus.

Cristo, por sua obediência, venceu nossa desobediência. Cristo, por sua vida imaculada, destruiu a culpa que separava o homem do seu Criador. Doravante, em Nosso Senhor, podemos nos tornar filhos de Deus, herdeiros da vida divina. Podemos nos “apropriar” de tudo aquilo que Jesus possui e é junto do Pai. “Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato” (1Jo 3,1).

“Jesus dizia ainda: A que é semelhante o Reino de Deus, e a que o compararei? É semelhante ao grão de mostarda que um homem tomou e semeou na sua horta, e que cresceu até se fazer uma grande planta e as aves do céu vieram fazer ninhos nos seus ramos” (Lc 13,18s). O grão de mostarda é Jesus, Deus que se fez pequeno, nascido numa terra insignificante, na periferia do mundo, vivendo oculto durante a maior parte do tempo, pregando e fazendo milagres, mas sem manifestar seu poder de modo irresistível. “Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2,6-8). De Jesus veio a Igreja, o povo de Deus, árvore frondosa vivificada pelo Espírito, plasmada no Sangue (Eucaristia) e na Água (Batismo) que saíram de seu lado (Jo 19,34-35). “Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer, produz muito fruto” (Jo 12,24).

Ele, que criou as estrelas, as galáxias, que sustenta no ser todas as coisas visíveis e invisíveis, tomou para si nossa humanidade, elevando-a, transfigurando-a, divinizando-a. “O poder divino deu-nos tudo o que contribui para a vida e a piedade, fazendo-nos conhecer aquele que nos chamou por sua glória e sua virtude. Por elas, temos entrado na posse das maiores e mais preciosas promessas, a fim de tornar-vos por este meio participantes da natureza divina, subtraindo-vos à corrupção que a concupiscência gerou no mundo” (2Pd 1,3s).

A ressurreição muda tudo. Ela dá um novo sentido para a história, e não só a história humana, mas a história de todo o Cosmos, pois a humanidade é, por natureza, ponte entre a criação visível e a criação invisível. Se a ciência não pode nos dizer se a Terra é o centro do Universo, a ressurreição de Nosso Senhor prova, sem margem para dúvidas, que a humanidade é, n’Ele, o centro e a razão de tudo o que foi criado. “Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda a criação. Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja. Ele é o Princípio, o primogênito dentre os mortos e por isso tem o primeiro lugar em todas as coisas.” (Cl 1,15.18).

Deus nos ama de um modo que ultrapassa todo o entendimento. “É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Cor 2,9). A ressurreição de Cristo abre as portas para a nossa ressurreição. Temos, por causa disso, a certeza de que aqueles que amamos e morreram em Cristo viverão novamente.

De fato, “se morremos com Cristo, cremos que viveremos também com ele, pois sabemos que Cristo, tendo ressurgido dos mortos, já não morre, nem a morte terá mais domínio sobre ele. Morto, ele o foi uma vez por todas pelo pecado; porém, está vivo, continua vivo para Deus! Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus” (Rm 6,8-11). “Quando este corpo corruptível estiver revestido da incorruptibilidade, e quando este corpo mortal estiver revestido da imortalidade, então se cumprirá a palavra da Escritura: A morte foi tragada pela vitória (Is 25,8). Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão (Os 13,14)? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças, porém, sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo!” (1Cor 15,54-57).

Com a Igreja, cheios de júbilo, proclamemos a alegre notícia da ressurreição:

Χριστός ἀνέστη! Ἀληθῶς ἀνέστη!

Christus resurrexit! Resurrexit vere!

Cristo ressuscitou! Em verdade ressuscitou!

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