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Escolham a porta certa!

março 31, 2013

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Deus quer que todos se salvem. Deus quer que todos cheguem ao conhecimento da verdade (1 Tm 2,3s). Deus é amor (1 Jo 4,8.16). Deus é cheio de misericórdia (Ex 20,6; Sl 56,11; Sl 85,5; Sl 99,5; Sl 105,1).

Como explicar, então, as muitas passagens bíblicas, incluindo diversas seções dos Evangelhos, em que se fala do julgamento do homem e do julgamento das nações, no fim dos tempos?

Só para refrescar nossa memória, lemos na Escritura:

Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.” (Mc 16,16)

Quando o Filho do Homem voltar na sua glória e todos os anjos com ele, sentar-se-á no seu trono glorioso. Todas as nações se reunirão diante dele e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. Colocará as ovelhas à sua direita e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estão à direita: – Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim. Perguntar-lhe-ão os justos: – Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar? Responderá o Rei: – Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: – Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber; era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes. Também estes lhe perguntarão: – Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos? E ele responderá: – Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer. E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna.” (Mt 25,31-46)

Ele mesmo julgará o universo com justiça, com eqüidade pronunciará sentença sobre os povos.” (Sl 9,9)

E os céus proclamam sua justiça, porque é o próprio Deus quem vai julgar.” (Sl 49,6)

Existe hoje uma forte corrente de pensamento que diz, às vezes de modo explícito, mais comumente com insinuações e atitudes, que ninguém será condenado por Deus. Todos serão salvos no final e sem maiores dificuldades.

Quantas missas de fiéis defuntos não são transformadas em ritos sumários de canonização onde, ao invés de se oferecerem orações para aliviar os sofrimentos da alma do falecido ou falecida no Purgatório, afirma-se que a alma separada já está na glória de Deus e intercede pelos seus familiares que ficaram na terra?

Uma vez confessei-me com um padre, e ele me disse, não exatamente com estas palavras: “não se preocupe com os que morreram, pois eles já estão na casa do Pai. Não dê crédito ao que a Igreja ensinava(!) sobre Purgatório”.

Se muitos padres não crêem sequer no Purgatório, muitos mais devem pensar que não existe Inferno! E isto contra as próprias palavras de Nosso Senhor: “Não temais aqueles que matam o corpo, mas não podem matar a alma; temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo na geena.” (Mt 10,28)

E por isso muitos se perdem, entrando pela porta larga que conduz à morte eterna:

Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram.” (Mt 7,13)

Alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os homens que se salvam? Ele respondeu: Procurai entrar pela porta estreita; porque, digo-vos, muitos procurarão entrar e não o conseguirão. Quando o pai de família tiver entrado e fechado a porta, e vós, de fora, começardes a bater à porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos, ele responderá: Digo-vos que não sei de onde sois.” (Lc 13,23-25)

Veja, caro leitor, que com os comentários que escrevo não estou me colocando como juiz das almas. Sei que eu também corro o risco de perder a salvação (Fl 2,12; Hb 3,12; 2Pd 2,20-22). Não sou melhor ou mais santo do que os outros, muito pelo contrário.

Sem a graça de Deus ninguém pode salvar-se (Jo 15,5; At 15,11; Ef 2,5.8) . Poucos se lembram disso. Parece a muitos que a redenção, tão duramente merecida por Nosso Senhor na Cruz, será automaticamente aplicada a todos os homens que, desta forma, não precisarão mais emendar-se e converter-se ao Evangelho.

Um teólogo famoso, Karl Rahner (1904-1984), defendia a tese de que todos os homens são cristãos anônimos, revestidos da graça desde o nascimento (a doutrina cristã do pecado original é substituída por uma versão sobrenaturalizada da doutrina de Rousseau!), não existindo distinção entre as ordens natural e sobrenatural na economia da salvação. Esta idéia  influenciou muitos pensadores e homens da Igreja durante e depois do Concílio Vaticano II, causando enorme dano espiritual e contribuindo para o arrefecimento da atividade missionária da Igreja (para que pregar Cristo e batizar se Cristo já alcançou todos os homens? Se o homem já é agraciado por natureza, por natureza destinado ao Céu, então para que investir tanto nas missões?)

Outro teólogo, quase feito cardeal pelo Papa João Paulo II, Hans Urs Von Balthasar (1905-1988), ensinava que o Inferno estava vazio, ou seja, que embora o Inferno seja uma possibilidade real, é lícito crer que ninguém foi, é ou será condenado (isto porque, de acordo com o teólogo, a alma de Cristo desceu ao Inferno após a morte na Cruz como se fosse a alma de um pecador impenitente, alcançand0 o perdão do Pai para todos os réprobos).

Tais especulações teológicas não possuem base nenhuma na sã doutrina, e é terrível que tenham sido toleradas e até incentivadas pelas mais altas autoridades eclesiásticas. Também por causa delas, os padres não mencionam mais o Inferno em seus sermões.

Diz-se que falar do Inferno é tentar converter pelo terror. Mas se o Inferno é real, como ensina a fé que recebemos dos Apóstolos, não falar do Inferno é o pior tipo de terrorismo, pois há o risco de perder muito mais almas ao se pregar que tudo está bem, que não há nada com que nos preocuparmos quando nos encontrarmos diante do Justo Juiz.

Quantos pecados não podem ser evitados com um simples pensamento a respeito dos tormentos eternos, da dor indizível de não ver a Deus, dos sofrimentos terríveis de uma alma dilacerada, torturada pelo fogo na escuridão sem fim! O temor do Senhor é o princípio da sabedoria! (Sl 110,10) Terrível é cair nas mãos do Deus vivo! (Hb 10,31) Deus é um fogo devorador! (Hb 12,28)

Mas como pode Deus ser tão terrível para os maus? Um Deus que é misericórdia infinita e perdão pode ser também justiça infinita e castigo eterno? Sim, pode, e de fato é, pois as duas coisas, misericórdia e justiça, perdão e castigo, não se opõem.

Contradição existe, sim, no perdão sem a possibilidade do castigo.

Céu e Inferno existem, e enquanto peregrinamos neste mundo temos a chance de escolher. Se escolhermos o bem, se escolhermos Jesus Cristo, seremos salvos. Se escolhermos o mal, se escolhermos a nós mesmos, seremos condenados. “A vida e a morte, o bem e o mal estão diante do homem; o que ele escolher, isso lhe será dado…” (Eclo 15,18)

Rezemos para que os pastores da Igreja não permitam o eclipse desta verdade.

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