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Contra o logos

abril 7, 2013

Relativism

O mindset revolucionário que tomou conta do Ocidente desde o fim da Idade Média realmente precisava se livrar de todo o arcabouço filosófico e teológico dos antigos, rejeitando a existência de causas finais e formais, negando a existência de substâncias e deixando para trás a visão clássica da natureza. Era esse o único modo de afirmar a vontade contra a razão, de o homem poder tornar-se independente de Deus e fazer-se igual a Deus, determinando o bem e o mal. O espírito das luzes, a era da ciência e do progresso humano, não passam de clichês para esconder o fato de que vivemos numa época de escuridão e irracionalidade.

O mundo moderno é o mundo sem Deus, sem formas, sem telos, apenas matéria cega que se move, aglomerando-se, condensando-se, dissolvendo-se.

Se nada mais somos que epifenômenos dos movimentos de quarks e elétrons, nuvens de pó num enorme espaço vazio, resultado do determinismo das forças naturais e do acaso, ou ainda máquinas que se reproduzem a fim de passar os próprios genes adiante, destinadas a virar repasto de vermes, fadadas ao esquecimento eterno, de onde podemos, de tudo isso, desta dura e deprimente total ausência de sentido, inferir regras de comportamento, descobrir o que é certo e errado, discernir o bem e o mal?

A única saída lógica é afirmar que não existe sistema ético objetivo, que os valores morais são determinados arbitrariamente, não passando de uma convenção social. Para alguns, o bem e o mal são definidos a partir das coisas que causam prazer e desconforto, alegria e sofrimento. Mas o que é prazer e alívio para um pode ser dor e morte para o outro, restando apenas a força bruta como critério de desempate.

Assim é, por exemplo, com o aborto, em que o lado mais poderoso, no caso, políticos, juízes, médicos, enfermeiros, a mãe, o pai, familiares, decidem destruir o feto humano fraco, inocente e indefeso. Neste caso, o Estado usurpa para si o direito de determinar quem é mais ou menos humano e quem não é humano. Também os cientistas, indo além da ciência, manipulam embriões humanos como cobaias descartáveis na busca da cura de doenças, da aquisição de conhecimento e do reconhecimento de seus pares.

Algo parecido ocorre com o “casamento gay”, a adoção por homossexuais e acusações de “homofobia”, em que uma minoria influente e poderosa ameaça, subverte e destrói a instituição familiar, base do tecido social. O que importa, dizem, é que as pessoas se sintam bem num relacionamento, não importa se este sirva, na verdade, para a degradação dos envolvidos. Uma pessoa com tendências homossexuais, ao invés de enfrentar com coragem suas inclinações desordenadas, com apoio amoroso de seus familiares e de sua comunidade, é incentivada a ceder e buscar na perversão a felicidade (que nunca encontrará), o amor (que nunca se realizará) e a completude (que nunca será autêntica).

Os defensores dessas causas, de modo consciente ou não, negam a natureza humana, negam que o homem tenha um propósito, uma razão para existir fora dele mesmo. Negam que a vida possua um sentido objetivo, negam que Deus exista, negam o Céu e o Inferno, negam a vida e a morte, negam o bem e o mal. A única coisa que afirmam é o nada e o desespero. Suas mentes estão envenenadas e corrompidas a tal ponto que não é possível argumentar contra suas idéias, mostrar-lhes seus erros, sem que se escandalizem e rasguem suas vestes: “Vejam, este é contra as mulheres, contra o direito de a mulher escolher, de ser dona do seu corpo… aquele é um monstro homofóbico, um maldito que não consegue perceber o quanto é bom e belo viver a homossexualidade sem pejos, que o amor entre homem e homem, mulher e mulher, pode ser tão ou mais nobre que o amor entre um homem e uma mulher…” como se por trás do “amor gay” não existisse um universo destrutivo de depravação, humilhações e indignidades. Como se os corpos de duas pessoas do mesmo sexo exibissem a complementaridade dos corpos de duas pessoas de sexos diferentes, e como se o sexo, o contato genital, fosse um fim em si mesmo e não um meio para um fim.

Esta é a ditadura do relativismo de que falava o Santo Padre Bento XVI. A ditadura de uns poucos que, em nome de uma falsa tolerância (na verdade, a tolerância é um eufemismo para o incentivo ao mal), perseguem e calam a voz de seus opositores. É a imposição da vontade da maioria (ou de uma minoria barulhenta) contra o logos, contra a verdade, contra o bem.

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