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Corpus Domini

maio 30, 2013

corpus-domini

Verbum caro factum est… E o Verbo se fez carne.

Hoje a Igreja celebra a festa do Corpo de Cristo, Corpus ChristiCorpus Domini, recordando a presença real de Nosso Senhor no sacramento da Eucaristia. De acordo com a doutrina católica, quando o sacerdote pronuncia as palavras da consagração na Santa Missa, as substâncias do pão e do vinho mudam, permanecendo apenas suas aparências ou acidentes(*). Os frutos da terra e do trabalho humano tornam-se substancialmente o Corpo e do Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.

A Eucaristia, portanto, é o próprio Cristo dado como alimento para os fiéis. “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo” (Jo 6,51). E como Cristo nos alimenta? Certamente não como o alimento comum, que é absorvido e transformado em parte de nossos corpos. Não, Cristo nos alimenta de outro modo. Pela fé, sabemos que Nosso Senhor é homem e Deus. Ao recebermos o sacramento eucarístico, recebemos o Cristo todo, pois a Carne e o Sangue estão unidos de modo substancial à Alma e à Divindade de Cristo. Portanto, o sacramento eucarístico nos alimenta do próprio Deus. Comungar é receber o próprio Deus como nutrição espiritual.

Diz o ditado que somos aquilo que comemos. Podemos concluir, por causa disso, que o principal efeito da Eucaristia é a transformação do homem em Deus, ou seja, fazer com que o homem se torne participante da vida divina (2Pd 1,4). “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna” (Jo 6,54).

“Ó precioso e admirável banquete, fonte de salvação e repleto de toda suavidade! Que há de mais precioso que este banquete? Nele, já não é mais a carne de novilhos e cabritos que nos é dada a comer, como na antiga Lei, mas é o próprio Cristo, verdadeiro Deus, que se nos dá em alimento. Poderia haver algo de mais admirável que este sacramento?” (Santo Tomás de Aquino, Opusculum 57, In festo Corporis Christi, lect. 1-4)

Por ser presença substancial do Senhor, a Eucaristia recebe o mesmo culto de adoração devido somente a Deus. A Igreja “não só ensinou mas viveu a fé na presença do Corpo e do Sangue de Cristo na Eucaristia, adorando sempre tão grande Sacramento com culto latrêutico, que só a Deus compete. Deste culto escreve Santo Agostinho: ‘A mesma carne, com que andou (o Senhor) na terra, essa mesma nos deu a comer para nossa salvação; ninguém come aquela Carne sem primeiro a adorar…; não só não pecamos adorando-a, mas pecaríamos se a não adorássemos’ (In Ps., 98,9; PL 37,1264)” (Carta Encíclica Mysterium Fidei de Sua Santidade Papa Paulo VI, n. 57, 1965).

A Eucaristia é uma só. Cristo não se multiplica em cada hóstia ou em cada cálice, mas está todo em cada parte do sacramento. E como Cristo é um só na Eucaristia, não importando o número de altares em que o sacramento é realizado, assim a Igreja que se alimenta da Eucaristia é uma só em todas as partes do mundo. “…como este pão, agora partido, estava antes disperso pelos montes, mas, ao ser reunido, se tornou um só, do mesmo modo se reúna a tua Igreja, dos confins da terra, no teu reino” (Didaqué 9,1). “A Igreja vive da Eucaristia”, escreveu o Papa João Paulo II (Carta Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 1, 2003), e da Eucaristia vem sua unidade. Quem não está, portanto, em comunhão com a Igreja, com sua fé e sua vida interior, na obediência ao Sucessor de Pedro, não pode aproximar-se deste santo sacramento. Também quem pecou mortalmente, perdendo a graça divina, não deve receber o Corpo de Deus, pois “… todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpável do corpo e do sangue do Senhor. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação” (1Cor 11,27.29).

E quantos não são os que recebem o sacramento eucarístico sem “distinguir o Senhor”… quantas comunhões ocorrem sem proveito espiritual, porque os corações estão endurecidos, fechados, preocupados apenas com interesses materiais, desejando as criaturas mais do que o próprio Criador! Se soubéssemos aproveitar pelo menos algumas gotas do oceano infinito de graças que a menor hóstia consagrada contém! Se deixássemos ao menos uma pequena rachadura se abrir em nossos corações de ferro, esta pequena rachadura já seria suficiente para que o Senhor tocasse nossas almas e nos convertesse em santos!

Confiamos mais no poder de um comprimido para curar a dor de cabeça que no poder do próprio Corpo e Sangue de Cristo para curar nossas almas e nos salvar. Se amássemos mais a Eucaristia, seríamos menos pecadores e mais divinos, seríamos menos massa e mais sal, menos trevas e mais luz para o mundo.

Lamentavelmente, ao lado de nossa indiferença, existe outro grave problema: a nossa irreverência. Aproximamo-nos do altar de qualquer modo, com roupas imodestas, distraídos, sem examinar nossa consciência. Pegamos o Corpo e o Sangue de Cristo em nossas próprias mãos como se Ele fosse uma coisa insignificante.

Os abusos são muitos e imensos, os sacrilégios incontáveis. Lamentavelmente, os próprios sacerdotes ajudam a criar uma atmosfera de desrespeito ao transformar a Santa Missa em uma celebração de si mesmos e da comunidade ao invés de seguir as leis que a Igreja criou para garantir a integridade da liturgia e do sacramento.

Quão melhor não seria se todos nos aproximássemos cheios de amor e temor, ajoelhando-nos diante do Verbo feito carne presente sob o pão e o vinho, recebendo diretamente na boca e das mãos do padre a Eucaristia, sem dar espaço para a possibilidade de tocar de modo indigno o Corpo de Cristo. Nossas mãos não foram consagradas para tocá-lo! “Noli me tangere” (Jo 20,17).

Rezemos, portanto, hoje, com toda a Igreja: “Senhor Jesus Cristo, neste admirável sacramento, nos deixastes o memorial da vossa paixão. Dai-nos venerar com tão grande amor o mistério do vosso Corpo e do vosso Sangue, que possamos colher continuamente os frutos da vossa redenção. Vós, que viveis e reinais com o Pai, na unidade do Espírito Santo.”

Assim seja. Amém.

(*)Ou seja, nenhum método empírico, como a análise físico-química, pode revelar a substância de Cristo no sacramento. A transubstanciação é uma mudança metafísica, ocorrendo no nível mais profundo do ser e, consequentemente, além do alcance dos sentidos ou dos instrumentos científicos.

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