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O Papa e a salvação dos ateus

maio 31, 2013

atheists

Homilia do Papa Francisco no dia 22 de maio de 2013:

O Senhor remiu a todos, redimiu todos nós com o sangue de Cristo: todos, não só os católicos. Todos! ‘Padre, e os ateus?’. Os ateus também. Todos! E este sangue nos torna filhos de Deus de primeira classe! Nós fomos criados filhos à imagem de Deus e o sangue de Cristo redimiu todos nós! E todos nós temos o dever de fazer o bem. E este mandamento para todos nós de fazer o bem eu acho que é um bom caminho para a paz. Se nós, cada um de nós, fizer o bem aos outros, pouco a pouco, lentamente, realizamos aquela cultura do encontro: aquela cultura de que tanto precisamos. Encontrar-se fazendo o bem. ‘Mas eu não acredito, padre, eu sou ateu!’. Mas faça o bem: vamos nos encontrar lá“.

Alguns comentários:

A afirmação da universalidade da Redenção pelo Papa não deve querer dizer que todos serão salvos automaticamente, mas que Nosso Senhor ofereceu seu Sacrifício para salvar todo o gênero humano, ou seja, que o Sacrifício da Cruz tem o poder de salvar cada um, não importa sua condição. Deus nos amou antes que nós o amássemos (1Jo 4,10): “Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós” (Rm 5,8). Deus “…deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus e há um só mediador entre Deus e os homens: Jesus Cristo, homem. que se entregou como resgate por todos” (1Tm 2,4-6).

Portanto, Nosso Senhor derramou seu Sangue preciosíssimo para redimir a todos. Todos os homens são POTENCIALMENTE alcançáveis pela graça redentora. É preciso reconhecer que a terminologia usada pelo Papa é péssima(*), mas não devemos presumir no Sumo Pontífice a intenção de ensinar algo contrário ao que a Igreja prega. E o Sangue de Cristo nos torna, PELA FÉ E PELO BATISMO, filhos de Deus, Filhos no Filho: “Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus” (Jo 1,12s). “Quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5). “O Batismo não somente purifica de todos os pecados, mas também faz do neófito ‘uma criatura nova’, um filho adotivo de Deus que se tornou ‘participante da natureza divina’, membro de Cristo e co-herdeiro com ele, templo do Espírito Santo.” (Catecismo da Igreja Católica, n. 1265).

Pela fé e pelo batismo somos alcançados EM ATO pela graça da Cruz e feitos filhos de Deus, o Espírito Santo entrando e passando a habitar em nossas almas.

Há uma certa confusão reinante no meio eclesiástico entre a ordem natural e a ordem sobrenatural. Precisamos recordar que a graça não pode ser reduzida à natureza, mas transforma e eleva a natureza a um nível superior. O bem natural é o ponto de partida para a ação divina. Por ser algo comum a todos os homens, é algo que podemos usar para nos aproximar (um ponto de encontro) daqueles que professam outras religiões ou mesmo daqueles que não professam nenhuma religião ou não crêem em Deus.

Mas ninguém pode ser salvo a não ser pela GRAÇA de Deus. As nossas boas ações, conquanto sejam louváveis e de acordo com o bem natural, não podem lograr a salvação por si mesmas. Apenas quando revestidas da graça sobrenatural tornam-se meritórias diante do Senhor para a nossa salvação e a dos outros membros da família humana. “Ainda que distribuísse todos os meus bens em sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tiver caridade, de nada valeria!” (1Cor 13,3).

Entretanto, buscar o bem, o justo, o digno, o belo, o verdadeiro, certamente é uma forma de, com a ação da graça, atrair muitos – incluindo alguns que professam o ateísmo – ao Bem, ao Justo, ao Digno, ao Belo, ao Verdadeiro que é o próprio Deus revelado em Nosso Senhor Jesus Cristo.

Quanto à salvação de um ateu, tendo em vista as considerações feitas acima, pode-se dizer que:

Um ateu que morre ateu, ou seja, negando a existência de Deus e impenitente, fechado para Deus e sua graça, não pode se salvar.

Um ateu que morre crente, ou seja, que é alcançado pela graça de Deus, ainda que no último minuto, ou mesmo no último segundo, e faz então um ato de contrição perfeita por todos os seus pecados, será salvo.

Deus nos deu o poder de escolher e um tempo para escolher. Cabe a nós fazer o melhor uso desses dois dons.

Dizer, porém, que existem outros caminhos para a salvação fora da graça de Deus obtida por Cristo Mediador  é proclamar uma mentira. Não houve, há ou haverá salvação que não seja por graça.

(*)Podemos considerar que, por ter sido uma fala de improviso, numa homilia (que não tem nem de longe o caráter de pronunciamento infalível), o Papa não teve tempo de pesar adequadamente as palavras. De qualquer modo, ele é o Papa e, respeitosamente, penso que mais prudência não faria mal a ninguém.

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