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O legado protestante

outubro 15, 2013
As sete cabeças de Lutero: falso doutor, monge desobediente, turco da Cristandade, falso pregador, fanático, visitador do mal, bárbaro.

As sete cabeças de Lutero: falso doutor, monge desobediente, turco da Cristandade, falso pregador, fanático, visitador do mal, bárbaro.

Eu: Como um protestante pode ser contra a Inquisição e aceitar estes versos da Bíblia: “Se teu irmão, filho de tua mãe, ou teu filho, tua filha, a mulher que repousa no teu seio, ou o amigo a quem amas como a ti mesmo, tentar seduzir-te, dizendo em segredo: Vamos servir outros deuses – deuses desconhecidos de ti’ e de teus pais, ou deuses das nações próximas ou distantes que estão em torno de ti, de uma extremidade da terra a outra -, tu não lhe cederás no que te disser, nem o ouvirás. Teu olho não terá compaixão dele, não o pouparás e não ocultarás o seu crime. Tens, ao contrário, o dever de matá-lo: serás o primeiro a levantar a mão para matá-lo, e a levantará em seguida o povo. Tu o apedrejarás até que ele morra, porque tentou desviar-te do Senhor teu Deus, que te tirou do Egito, da casa da servidão.'” (Dt 13,6-10)

A lógica do texto bíblico é a mesma por trás da Inquisição: o herege desvia os simples, falsifica a fé, corrompe as almas. Num tempo em que a fé regia a sociedade como um todo e em que o Estado aplicava a pena capital para crimes muito menos graves, refletindo a mentalidade comum, era perfeitamente justificável empregar meios de coerção física para impedir a difusão do erro. Do ponto de vista moral, a aplicação da pena de morte em tais situações era lícita. O que se pode questionar é a conveniência ou necessidade de penas temporais além das penas espirituais, não se as penas temporais são boas ou más em si mesmas. Hoje, considerando que a sociedade não é mais cristã, que existem inúmeras heresias e grandes grupos de hereges a combater, que a pena de morte é vista pela maioria como último recurso e apenas para crimes graves contra a vida humana natural e, ainda, que existe grande risco de causar escândalo ao se determinar a pena de morte para os que deturpam a sã doutrina, não se deve defender, no plano prático, a instauração de instituições similares aos tribunais da Inquisição. Não podemos, contudo, condenar nossos antepassados por terem sido coerentes e usar de meios lícitos, embora estranhos ao nosso ambiente social, cultural e religioso, com o objetivo de enfrentar uma gravíssima ameaça espiritual.

Protestante: A Igreja antes de Constantino lutava pra se manter unida e na verdade. Os cismas giravam em torno do que os apóstolos diziam e faziam. Já havia muitos falsos apóstolos, profetas, irmãos, mas a Igreja era firme, repartindo o pão com singeleza de coração e adorando o Senhor. A Igreja crescia em número e graça diante de Deus e do povo. No entanto, as coisas mudaram após a ascensão de Constantino, que viu na Igreja uma aliada forte, oficializando-a, transformando-a em um departamento do Estado.

Estado e igreja juntos era o sonho de Jesus? Errado! A Igreja perseguida tornou-se perseguidora de quem discordava dela. Interesses econômicos, políticos, passaram a ficar em primeiro plano… não adianta revirarmos escombros, abrir covas, procurar culpados. Como cristãos, devemos ser sinceros. A Igreja romana errou, admitamos; os protestantes erraram e tiveram sua culpa, seus desvios também. Logo, então, chegamos a um ponto comum: o que DEUS pensa de nós, onde chegamos com nossas heranças religiosas? Deus cobrará de cada um de nós um dia, e está chegando! Como disse Malaquias – quem suportará a vinda do Senhor quando vir a seu templo?

Eu: Discordo, Sr. Protestante. Constantino não foi uma maldição para a Igreja. O Estado, a sociedade, não deve ser privado das luzes da fé. Se houve excessos ao longo dos séculos nas relações da Igreja com governos e regimes diversos, houve também muitas coisas positivas. Com Constantino, acabaram-se as grandes perseguições do Império Romano, a Igreja encontrou a paz e pôde, assim, preparar-se para o futuro: a evangelização dos povos bárbaros, a forja de uma nova civilização onde os princípios do Evangelho seriam reconhecidos pelos reis (mesmo que estes não tenham sido todos santos, mas houve, de fato, reis – e rainhas – santos!).

A Igreja sempre foi perseguida e, quando se defendeu, como na Inquisição, foi para resguardar a pureza da fé e o bem das almas. Sim, houve e há inúmeras tentativas de cooptar a Igreja para torná-la um departamento estatal. Veja a questão das investiduras, por exemplo, ou a recusa do Papa a reconhecer a nulidade de casamento do infame rei Henrique VIII, que por isso jogou a Inglaterra nos braços do protestantismo. Houve maus bispos e uns poucos papas que só pensavam em coisas mundanas (riquezas, luxo, influência política). Mas a história mostra que a Igreja como um todo sempre resistiu e venceu as tendências internas que procuravam desagregá-la e afastá-la da sua missão. A Igreja por pouco não morreu diversas vezes ao longo da história, mas a graça de Deus milagrosamente a ressuscitou e quase sempre quando tudo parecia perdido.

Nosso Senhor precisa reinar sobre os corações, sobre as pessoas, sobre a sociedade, e não apenas sobre os indivíduos, como quer o protestantismo.

Protestante: O mesmo discurso caduco. Parece que estamos falando latim. Naturalmente a Igreja cristã cumpriu seu papel até que o sabor do poder temporal e as circunstancias favoreceram o bispo de Roma. Não dá aqui para contarmos detalhes dos nossos livros de história. Todos conhecemos os fatos, e contra eles não há argumento. Quando olho para minha casa e vejo que existem lugares a consertar, então é natural lançar mão de ferramentas e fazer as reformas necessárias, senão ela cai sobre nossas cabeças! Com todo respeito, Sr. Ewerton, sou protestante de uma igreja pentecostal. Fui ensinado em tudo que há de melhor na igreja; mas quando vejo meus líderes saindo do objetivo, do foco, e amando mais coisas passageiras, como dinheiro, fama e influência, eu reclamo, discordo, enfio uma navalha na própria carne porque o mais importante é agradarmos a Deus e não aos homens como disse PEDRO; a cura de toda doença começa quando o doente admite que está doente! Uma pergunta fica no ar, não para responderes a mim, mas a ti mesmo – A Reforma protestante trouxe algum beneficio ao mundo? E DEUS, o que achava do estado da Igreja por esse tempo? Parece que ele estava como no livro de APOCALIPSE, NAQUELA IGREJA QUE ELE BATIA A PORTA DO LADO DE FORA?

Eu: Caro Protestante, a Igreja sempre cumpriu seu papel, que é o de salvar almas, a despeito das falhas e dos pecados de seus filhos ao longo dos séculos. Não foram circunstâncias temporais que favoreceram a autoridade espiritual do bispo de Roma, mas o próprio desígnio do Senhor, que fundou sobre São Pedro a sua Igreja (Mt 16,18) e fez do Príncipe dos Apóstolos o primeiro bispo da Cidade Eterna. Isto é factual e, portanto, imune a qualquer argumentação honesta (embora sofismas, distorções e preconceitos estejam sempre à disposição de quem não quer aceitar a verdade). Nosso Senhor prometeu que a Igreja jamais seria destruída ou vencida pelo poder do Inferno, e sempre suscitou, nos momentos mais difíceis, grandes santos e santas para combater o bom combate da fé. A correção fraterna sempre foi importante na vida da Igreja, e os pastores que se desviaram foram muitas vezes corrigidos com caridade e respeito (como ocorreu, por exemplo, com São Paulo e São Pedro e com Santa Catarina de Siena e o Papa Gregório XI, no século XIV). Quando Deus julga que a Igreja precisa de reformas, estas reformas ocorrem sob o influxo do Espírito Santo sem destruir a unidade da fé como, por exemplo, nas reformas de Cluny ou nas reformas de Trento, e através da ação de pessoas santas e tementes a Deus. Lutero e os outros falsos reformadores, por outro lado, não eram santos, não eram homens de Deus. Eles corromperam a fé e inventaram novas doutrinas fundadas em interpretações pessoais das Sagradas Escrituras e sem base na Tradição Apostólica. O irônico é que a Bíblia que eles receberam como inspirada (ao menos no que diz respeito ao Novo Testamento) era a da própria Igreja que denunciavam como totalmente corrupta. Esses heresiarcas acusaram a Igreja de adulterar a Escritura, mas aceitaram a palavra da Igreja na hora de determinar quais Evangelhos e epístolas faziam parte do cânone bíblico.

A pseudo-reforma protestante dividiu os cristãos, semeou guerras fratricidas, plantou as sementes de revoluções que, em poucos séculos, culminariam na negação de Cristo e de Deus (penso aqui no iluminismo, no jacobinismo e no comunismo, além do materialismo que brota da abundância material proporcionada pelo sistema capitalista). Olhando hoje para países como a Holanda, a Suécia, a Alemanha, o Reino Unido, onde o protestantismo fincou raízes mais profundas, vemos que neles Deus é uma matéria irrelevante, que as pessoas ali não se importam com a fé, mas praticam o ateísmo e a idolatria do Estado. A Europa como um todo sofre de um terrível empobrecimento espiritual, negando suas raízes católicas. Como não reconhecer que isto se deve, historicamente, à terrível ruptura promovida pelos protestantes? Quando rejeitaram a Igreja e o Papa, mas aceitaram a Bíblia da Igreja e do Papa, os protestantes não foram coerentes em seus princípios. Seus descendentes espirituais, por outro lado, perceberam logo que também deviam rejeitar a Bíblia como uma coleção de superstições e crenças primitivas, úteis para controlar as massas, mas sem base na realidade. Portanto, prezado Protestante, não foi a Igreja Católica que deixou Nosso Senhor do lado de fora, foram os homens que deixaram a Igreja e, com ela, Jesus Cristo, para abraçar verdades enlouquecidas, parciais, que entraram em conflito umas com as outras e terminarão por desaparecer, ficando apenas a loucura e o desespero. É este o mundo em que vivemos. É este o grande legado protestante, a meu ver.

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