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Maria-Igreja

janeiro 20, 2017

mother_churchUma linha escriturística que nos conduz à Imaculada Conceição é a identificação tipológica entre a Igreja e Maria que, aliás, foi historicamente a via pela qual a Igreja compreendeu melhor o mistério da Mãe do Senhor. A Igreja gera Cristo virginalmente como Maria. O mesmo Cristo quer a Igreja “gloriosa, sem mancha nem ruga, ou coisa semelhante, mas santa e irrepreensível” (Ef 5,27). Em Maria, além do mais, realiza-se a continuidade e unidade entre a Antiga Aliança com Israel e a Nova Aliança com a Igreja: Maria é a recapitulação pessoal do “resto segundo a eleição da graça” (Rm 11,5), o resto santo que prova que a palavra de Deus realmente frutifica: uma judia, filha de Israel, que como tal é inteiramente cristã. Finalmente, no Apocalipse, a Virgem é a “mulher vestida de Sol” (Ap 12,1), ou seja, vestida de Deus, que é luz (1Jo 1,5), inteiramente preenchida com o amor divino, e que tem a Lua, ou seja, a mudança, a morte e a mortalidade, debaixo de seus pés, mostrando sua íntima associação com a vitória do seu Filho. Coroada com doze estrelas, ela personifica a própria Igreja: as doze tribos de Israel, os doze Apóstolos do Cordeiro, que gera no sofrimento, nas provações do mundo e, especialmente, pelo martírio, o próprio Cristo (Ap 11,2). O demônio, a antiga serpente, trava uma luta contra ela (Ap 12,13), mas ela é protegida (vv. 14-16), o que enfurece o Inimigo, que se volta contra seus descendentes, aqueles que “observam os mandamentos de Deus e mantêm o testemunho de Jesus” (Ap 12,17). Portanto existe uma inimizade radical, total, completa, entre Maria, a Mulher, e o demônio, recapitulando o protoevangelho do Gênesis. Ora, a Igreja paulatinamente entendeu que esta inimizade radical não pode ocorrer se Maria, em algum momento, esteve sob a égide do pecado, ou seja, se ela foi, ainda que só num instante, “propriedade do diabo”. Como escreveu Santo Agostinho de modo ainda impreciso, respondendo a Juliano de Eclanum, um bispo pelagiano deposto: “Nós não transferimos Maria ao diabo pela condição de seu nascimento, por esta razão, que esta condição é dissolvida pela graça de seu novo nascimento.” (Contra Juliano, IV, 122)

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