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Notas sobre o pecado original, graça e predileção divina

janeiro 20, 2017

original_sinNo estado antes da Queda, o homem podia naturalmente evitar o pecado (embora este dom também venha de Deus como causa primeira). Maria, concebida sem pecado, também possuía, por sua natureza íntegra, a capacidade de não pecar. Os dom preternatural da imortalidade, por outro lado, divide os teólogos. Alguns crêem que Maria não passaria pela morte e, ao final de sua vida terrestre, apenas adormeceria antes de ser despertada por Seu Filho e levada em corpo e alma ao Céu. Outros dizem que, apesar de não possuir a mancha de Adão, Maria não teve o dom preternatural da imortalidade restaurado. Ela morreria, não como consequência do pecado, mas porque a natureza humana, em si mesma, é mortal. Independentemente disso, é claro que a isenção do pecado original implica, primeiramente, na existência dos dons da graça em sua alma desde o início e, em segundo lugar, dos dons naturais que o pecado de Adão comprometera.

Graça quer dizer favor divino. Reduzir a graça a uma mera vacina contra o pecado é um erro sério. Adão e Eva tinham a graça divina também, antes de pecar.

Quando São Paulo diz que “diante de Deus, não há distinção de pessoas” (Rm 2,11), o contexto mostra que ele está se referindo a distinções de nacionalidade ou etnia. Vejamos os versos imediatamente anteriores: “Tu, ó homem, que julgas os que praticam tais coisas, mas as cometes também, pensas que escaparás ao juízo de Deus? Ou desprezas as riquezas da sua bondade, tolerância e longanimidade, desconhecendo que a bondade de Deus te convida ao arrependimento? Mas, pela tua obstinação e coração impenitente, vais acumulando ira contra ti, para o dia da cólera e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, buscam a glória, a honra e a imortalidade; mas ira e indignação aos contumazes, rebeldes à verdade e seguidores do mal. Tribulação e angústia sobrevirão a todo aquele que pratica o mal, primeiro ao judeu e depois ao grego; mas glória, honra e paz a todo o que faz o bem, primeiro ao judeu e depois ao grego. Porque, diante de Deus, não há distinção de pessoas” (Rm 2,3-11). Trata-se, portanto, de afirmar que tanto judeus como gregos serão julgados da mesma forma, de acordo com suas ações, e não pelo simples fato de pertencerem a um ou outro povo. Nos Atos dos Apóstolos também lemos: “Então Pedro tomou a palavra e disse: Em verdade, reconheço que Deus não faz distinção de pessoas, mas em toda nação lhe é agradável aquele que o temer e fizer o que é justo.” O contexto é o mesmo: tanto judeus como pagãos, se buscarem a Deus, são tratados igualmente. Nada se diz aqui contra o fato de Deus conceder bens diferentes a cada um, tanto na ordem natural como na ordem da graça, amando mais a quem recebe mais e amando menos a quem recebe menos.

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